domingo, 18 de maio de 2014

A árvore

Era uma arvore pequena, acabava de nascer. Na realidade ainda nem sabia que ia ser uma arvore.

Cresceu, cresceu e abrigou pássaros e insectos, entre tantos bichinhos que habitaram a árvore, houve um que ficou muito tempo, aí criou a sua família que também cresceu até que chegou um dia em que eram muitos.

Todos se alimentavam da árvore, e quanto mais comiam mais cresciam e se multiplicavam.

A árvore, viveu todo o tempo que pôde, mas foi enfraquecendo, aqueles bichinhos eram em cada vez maior número e ela não sabia como fazer para que se fossem embora, chamou pássaros para que os comessem mas era impossível, eram tantos e estavam cada vez mais dentro dela.

Aos poucos foi perdendo o brilho, as forças e a vida, deixou de conseguir alimentar se e os bichinhos já eram demasiados.

Já era tarde quando entendeu, não devia ter dado abrigo aos bichinhos, eram bichos da madeira, comiam madeira.

Também na vida dos humanos existem, algumas pessoas são assim, chegam, instalam se e quando se dá conta já é tarde.

Cuidado com os bichinhos, nunca se sabe, se ficam mais tempo do que outros, pensem bem.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Escolhas

Por vezes fazemos escolhas.que não queremos fazer realmente mas que a vida nos obriga. Por vezes acontece. Hoje é uma dessas vezes, assisto sem poder fazer nada, como uma dessas pessoas que se cruzam na minha vida tem de escolher, vender o que conseguiu com muito esforço para poder fazer face as suas despesas diarias, por culpa de algo que nunca entenderemos na totalidade. A crise económica, que se instalou socialmente e não abranda,para que meia dúzia, que dizem ser senhores, encherem os bolsos enquanto outros lutam para viver diariamente.
Na verdade entendo mas recuso aceitar a realidade que nos querem impor. Recuso o voltar atrás no tempo, recuso viver em 1927 porque nasci em 1968. Recuso a cegueira que se impõe aos nossos filhos e netos, recuso a falta de caráter de um ensino de entretenimento que apenas vai gerar um povo falsamente culto mas facilmente manobrável.
Entristece a realidade a falta de cores e sorrisos nas caras, magoa ver como as pessoas vivem com o mínimo possível e ainda assim vendem esse mínimo.

Passei em Lisboa, num edifício que foi remodelado não faz muito tempo, primeiro achei que era bom, dar um uso a instalações existentes e que estavam degradadas, ao parecer continua a ser uma escola embora especifica.
Mas entristeci e senti um não sei quê de revolta dentro de mim, ao verificar que se limpou e manteve e brilha como topo de um edifício semelhante obra, apologista da consolidação do Estado-Novo ( Ditadura, isso sim), após a revolta de Fevereiro de 1927.
Assistimos ao renascer da miséria, do despotismo e possivelmente de uma era que nos querem impor de Ordem-Trabalho, porque sim, porque querem, mas sem ganhos, sem direitos, porque não somos cidadãos merecedores de tal.
 Resta o consolo de que a história quando se repete, traz períodos maus e depois outros menos maus.

 Para quando um período de tempo BOM?

Paulo Soares

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Voltam as festas

Vão vir as festas,a esta altura já sei que eu e muitos, já não passam as festas, de natal e ano novo em família,nem sequer os Reis e por mais que um diga que os amigos também são família, nunca é a mesma coisa.
Realmente não é, pode ser agradável, ajuda a passar o dia, a época, mas depois é pior, saímos daquela solidão por momentos e quando volta, é quase insuportável, a dor aumenta de tal forma que acabamos por ficar apáticos, sem rumo novamente e apenas com memórias que sabemos irrepetiveis.
Por essa razão decidi que não, não vou passar épocas especiais com ninguém. Eu e Deus, será suficiente para abafar as lágrimas e enxugar as faces molhadas de tanta saudade.

Queria voltar a ter casa cheia, brincadeiras parvas e risas soltas por todos os cantos.

Sei que não é possível, mesmo a companhia desse sorriso que me oferecias, desapareceu.
Não me lembro quando, recordo apenas que existiu.

Voltam as festas, volta o sorriso, agora meu, obrigatório de vestir, nas sociais horas de que não consigo escapar.

Porei luzes e comprarei prendas como todos, ou talvez não.
Porei luzes, bolas de cores e brilhantes, flores e velas.
Desejarei como é devido que sejam felizes.
Voltam as festas, voltam os desejos, cumprimentos e sorrisos, serei simpático, mais que o normal, vou rir disfarçadamente, das hipocrisias, das minhas, dos outros.

Esperarei que passem, para poder ficar comigo mesmo,como sempre, nestes anos, que ainda recordo e terei saudades enquanto o fizer, desse sorriso que era meu.

Voltam as festas,
   Preparado, estou.
Abro a caixa dos sorrisos, sim, estou preparado.

Paulo Marrachinho Soares

sábado, 2 de novembro de 2013

Samhain





Existem aquelas festas que trazem alegrias e aquelas que trazem tristezas, existem aquelas que são tradicionais e aquelas que são o que são, marketizadas, industrializadas.
O chamado dia das bruxas, que as empresas americanas aproveitaram bem e mecanizaram ao ponto de quase suplantar as raízes desta festa, considerada pagã por muitos e considerada celebração por outros tantos e ainda apenas festa por muitos mais.
Para mim, pessoalmente creio mais na parte ligada há natureza e no espantar de males que agora consideramos de outros tempos pois temos os chamados " políticos" para suplantar qualquer malefício existente e não há bruxa que valha contra estes e seus conjuros que nos fazem mais que ser pagãos...pagar a bom preço as boas vidas que estes seres predicam unilateralmente.
Adoro as abóboras e doces destas festas.
Sendo uma festa de raiz Celta desde a Península Ibérica a Escócia e nada tinha que ver com bruxas e aboboras, o nome do festival celta (Druidico) que celebrava o fim do verão e entrada do inverno é SAMHAIN que significa isso mesmo, o fim do verão.
A alusão aos mortos existia sim, mas como motivo de contentamento por significar para os Druidas um lugar onde já não haveria mal, não haveria dor e não haveria fome, um pouco como o paraíso do cristianismo, religião que aprofundou esse conceito até os dias de hoje.
Inclusive a data de celebração foi reaproveitada e conjugada com o dia de todos os santos (antes era de todos os mortos) o que tem lógica uma vez que como se costuma dizer,quando alguém parte " era tão boa pessoa" .

Mas quem quiser saber mais é só investigar um pouco e consegue facilmente perceber, mas para facilitar um pouco aqui deixo um link :
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_das_bruxas

Eu prefiro ficar em casa, não andar disfarçado e comer uma belíssima fruta vermelha, poderoso feitiço de amor que me renova um pouco porque tem montes de anti-oxidantes.
Haja feitiço contra a idade e os maus gestores da vida do povo.

Eu fico a comer a minha romã...  :)
   

Paulo Marrachinho Soares
 


domingo, 1 de setembro de 2013

A verdade da aparência e da manipulação equivocada da informação "exemplo prático"

Este pequeno ensaio, serve para que pensemos melhor, ou não, sobre o que significa conteúdo, ter conteúdo, manipular e perceber como é fácil manejar informação se alguém se propõe a fazê-lo.

siga o link, ou copie para o seu browser, caso não funcione.



https://www.facebook.com/editnote.php?draft&note_id=692661700748232&id=100000428148017


   obrigado

   Paulo Marrachinho Soares

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Saudades






De pé ,olhando a agua, 
senti de repente uma vontade incontrolável,
avancei sem pensar e meti me agua dentro.



Perfeita a temperatura, limpa e acolhedora
assim senti eu a agua que me envolvia á medida que avançava.
Sem pensar, apenas escutava, o mar, as ondas a rebentar
saudades que se misturam em mim, de outros lugares
e a voz harmoniosa que não parava de chamar
 cantando por vezes, encantando me o pensar.




Lancei me então, no mar, mergulhando, rompendo as aguas
para que ninguém me visse chorar, por saber
que não estás, que é ilusão o que oiço
que por mais que mergulhe não te irei encontrar
 e desisto, rendido, saio da água, molhado 
para que não me vejam chorar, 



Olho, uma vez mais, o mar, que tanto te gostava  
e vejo o romper das ondas
e sei que terei sempre saudades de outros tempos, em outros lugares
que não mais te ouvirei cantar




Recordo tua cara, teu falar
teus passeios na beira-mar
como me sorrias com um olhar
como me ensinaste a pensar




tenho saudades Mãe
do teu mar, de outros tempos, em outro lugar.

         Paulo Marrachinho